quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Vivo

Vivo
Uma palavra e uma seta
Que para baixo apontava
Era mais uma pichação?

Uma duvida me perseguiu
Meio a tantos rabiscos esse
Talvez tivesse um significado
Vivo,habito,moro aqui

Uma suplica
Um pedido de socorro
Estou aqui deitado
Vivo ainda estou

Hei, estou aqui
No chão meio ao lixo
Descartado do seu mundo
Vivo e ninguém me vê

Acho que tive pai e mãe
Ou serei uma experiência
Franquisteianista e mal sucedida
Vivo, insisto em existir

Vejo pouco, ouço pouco
Como quase nada
Tenho alguns amigos
Visíveis e invisíveis

Dias e noites de conversas
Risadas e choro desmedidos
Entre amigos confidencias
De tudo que tive e perdi

Pra não esquecerem de mim
Por fim embaixo desta seta
A quem possa interessar,
Vivo ainda estou !








segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Abstrato

Sol dos meus desejos
Metade de mim
Tem desapego no por vir
A outra já não me pertence

Amo cada linha do tempo
Pintado no teu olhar
Emoldurado no meu coração
Abstrata perfeição do amor

Como uma obra de arte
Exposta num museu
De valor inestimável
Admirável mas intocável.

domingo, 26 de julho de 2009

Cheiro de Jasmin

Cheirinho de jasmim
Um chuvisco de pessoa
Guardarei por toda vida
Chuva mansa sempre amiga

Tanto carinho naqueles cravos
Entre meus amores imperfeitos
Vivo esta deliciosa saudade
Inesquecível cheirinho de jasmim

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Estrada

Meu carinho conhece
Os caminhos do teu coração
Como simplesmente acordar
Um dia e não reconhecer

Perder-se no caminho
Retornar e no maior
Gesto de carinho, do mundo,
Perdoar e viver para amar

Quem sabe felizes para sempre
Cada minuto deste sempre
Numa intensidade desmedida
Ti reencontro, minha vida

Iguana

Sinto-me meio iguana
Demonstrando tanto carinho
Com a linguagem do olhar
Na velocidade do iguana

Quem nunca teve um bichinho
È bem mais que desejar um ninho
Tomar conta, tornar-se parte
Seguir olhando, só admirando

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Na sombra do pé de canela

Faz sombra o pé de canela
Meu pedacinho de céu
De grama acarpetado
Perfuma-me caneleira

Envolva-me afetuosamente
Somente assim consigo absorver
Uma parte ou a melhor parte
De tudo que poderia ser

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Correndo nú no milharal

Como passar impune
Sem as marcas desta corrida
A cada passo nada muda
Tanto faz a direção que se toma

Um passo a frente dois para traz
Tão veloz qual trajetória da vida
Nada cura sem muito arder
É o fluxo da terra

Finda colheita cada semente
Que germina uma esperança
Nem tudo se consome
Vem nova safra me consumir